sexta-feira, 20 de junho de 2008

Yoga: Uma Prática Antiga e Moderna

Há vestígios que demonstram a existência do Yoga na região do vale do Indo há mais de 5000 anos atrás. Contudo o Yoga, nesta altura, seria com certeza algo muito diferente do que hoje em dia é praticado. Como produto cultural que é, como todas as produções humanas, o Yoga não pode ficar imune à influência das sociedades em que é praticado.

Todos aqueles que se interessam por esta prática nos nossos dias se deparam com uma realidade: há tantas escolas e tipos diferentes de Yoga que, muitas vezes, quase nem parece que estamos perante uma mesma prática. O que as une é a origem comum da filosofia contida na sabedoria ancestral dos Vedas, as escrituras sagradas do Hinduísmo, onde se encontram as primeiras referências escritas ao Yoga.

Uma das características comuns a todos os tipos de Yoga é o encarar desta prática como uma forma de nos libertarmos da ignorância que nos impede de conhecer a nossa natureza mais profunda e verdadeira. As diferenças são criadas justamente pela forma como cada uma delas se propõe atingir esse conhecimento.

Assim podemos pensar que a diversidade de escolas que existe é uma consequência da própria diversidade humana. Visto que cada um de nós aprende de maneira diferente e necessita de aprender coisas diversas, então é natural que cada um de nós percorra um caminho específico, ainda que para chegar à mesma aprendizagem. Como tal, dizer que o método de determinada escola é o único verdadeiramente eficaz, seria negar a diversidade que é uma característica essencial dos seres humanos.

Algumas escolas hoje em dia defendem a ideia de que o Yoga original, aquele que teria sido ensinado há mais de 5000 anos atrás, é o único método válido e verdadeiro. Mas há duas coisas essenciais que nos que nos levam a questionar esta afirmação. Uma delas é o facto de nos ser impossível saber ao certo que tipo de Yoga se praticava há tanto tempo atrás, visto que os vestígios arqueológicos não o dizem e os textos dos Vedas sobre o Yoga transmitem-no de forma muito diferente da de hoje em dia. A outra é o facto desta afirmação ter em si contida a presunção que todo o conhecimento cultural, filosófico e científico que foi sendo adquirido com o passar dos milénios não tem qualquer valor.

Uma das noções que as escolas de Yoga partilham entre si é a de que este é um método de crescimento e evolução pessoal. Esta evolução da consciência que o Yoga facilita, para muitos dos Mestres de Yoga mais conhecidos, como Sri Aurobindo, não se passa apenas ao nível individual mas também no da espécie. Logo, é legítimo supôr que as sociedades dos nossos dias, sendo mais desenvolvidas que as de há 5000 anos atrás, nos darão acesso a um tipo de Yoga mais eficaz e completo do que aquele que existia nessa altura.

È um facto que alguns Mestres de Yoga mais recentes, que ainda hoje têm inúmeros seguidores e obras que continuam a ser permanentemente reeditadas foram influenciados pelos avanços nomeadamente da Medicina e da Psicologia. Swami Vivekananda, por exemplo, que alguns investigadores identificam como um marco nas origens do Yoga Moderno, era bastante amigo de um importante marco na Psicologia - William James- havendo indícios de que os dois se influenciaram mutuamente.

Parece que há uma tendência generalizada, não só no Yoga, mas em vários aspectos, para pensarmos que antigamente tudo era melhor. Existe, por vezes, um certo romantismo que nos leva a acreditar numa época longínqua em que tudo era perfeito, paradísiaco. Mas acontece que vamos tendo cada vez mais meios de conhecer o passado e eles dizem-nos que essa época dourada parece nunca ter existido. Talvez esse sonhar com um passado idílico faça parte do tipo de sociedade em que vivemos, ou da nossa cultura judaico-cristã, com as suas noções de paraíso perdido, mas talvez acreditar nas coisas boas da vida neste tempo e na construção de um futuro melhor nos tornasse pessoas mais optimistas e quem sabe até mais activas na construção desse mesmo futuro.


Laura Sanches
(Publicado na revista Psicologia Actual/ Fevereiro 2007)

Psicologia Transpessoal: entre a ciência e o espírito

O que é a Psicologia Transpessoal?

O termo transpessoal significa para além da persona, palavra que, em grego, era usada para designar a máscara que os actores usavam no teatro. Se a máscara é a nossa personalidade, o transpessoal procura ver para além desta. Com Freud ficou clara a ideia de que o nosso eu é composto por mais do que as partes de que estamos conscientes. Freud analisou e definiu tudo aquilo que estava por trás do nosso consciente, o transpessoal procura definir o que está para além dele. Assim, se Freud catalogou e afirmou a importância do nosso inconsciente, a Psicologia Transpessoal, sem negar esta importância, vem realçar a existência de outros níveis da nossa consciência, igualmente importantes e a que alguns autores, como Sri Aurobindo, por exemplo, chamam o Superconsciente.

O transpessoal enquanto movimento não se restringe apenas à psicologia, pode ser encontrado em várias áreas de estudo, como a sociologia, a antropologia, a psiquiatria, etc. No que se refere à Psicologia este movimento procura estudar as características, consequências e efeitos das experiências transpessoais. Estas experiências são alturas em que, temporariamente, a nossa consciência de sermos uma identidade isolada e independente desaparece e há uma sensação de união a um todo. Durante estas experiências, as pessoas que as relatam, entram em contacto com partes do seu ser que parecem estar para além do ego. Como ego podemos entender a nossa personalidade, aquela com que nos identificamos no dia-a-dia, que nos permite ver-mo-nos como seres distintintos, individuais, com uma existência clara e definida no espaço e no tempo. Durante as experiências transpessoais estas fronteiras individuais são, geralmente, dissolvidas e as barreiras do espaço e do tempo que nos isolam do exterior são transcendidas, dando lugar a uma nova percepção da realidade e de nós mesmos. As pessoas que as vivenciam geralmente descrevem sentimentos de grande bem-estar e de uma felicidade profunda que nunca antes tinham experimentado, o que lhes pode dar um carácter profundamente transformador.

Durante muito tempo este tipo de experiências foram classificadas como patológicas e negativas, mas hoje, são muitos os estudos que indicam que elas podem ter um papel determinante no crescimento e desenvolvimento humanos.

Geralmente ocorrem em estados de consciência alterada que podem ser fruto quer de técnicas de meditação, ou de outras técnicas espirituais ou do uso de substâncias psicoactivas, ou ainda de grandes alterações corporais, como nas experiências de quase morte, por exemplo.

Origens da Psicologia Transpessoal

O termo Transpessoal foi introduzido em 1969, nos E.U.A. com uma publicação de Stanislav Grof e de Abraham Maslow- o Journal of Transpersonal Psychology. Devido ao sucesso que esta publicação atingiu, em 1972, foi então fundada, pelos mesmos autores, a primeira associação de psicologia transpessoal, que passaria a representar a quarta força da psicologia.

Um dos marcos na história da Psicologia Transpessoal foram os estudos de Abraham Maslow, um importante teórico do movimento Humanista, que observou que muitas pessoas relatavam aquilo a que chamou de “experiências de pico”. Estas eram experiências que podiam durar apenas alguns segundos ou vários minutos e em que, quem as vivia, descrevia o dissolver das barreiras do seu Ego, com a noção de integração num todo coerente e harmonioso e um grande sentimento de bem-estar, quase de euforia. Eram experiências que tinham sempre um significado muito forte na vida das pessoas que passavam por elas, chegando mesmo a provocar grandes alterações nas suas formas de ver e de estar no mundo.

Maslow, que antes tinha já contribuido significativamente para as teorias da personalidade, com a sua célebre pirâmide das necessidades (em que postulava que o homem tinha uma certa hierarquia de necessidades que deviam ser progressivamente satisfeitas para que este se pudesse sentir feliz e realizado), concluiu que a necessidade de realização espiritual era tão forte como todas as outras e que deveria estar no topo da pirâmide como a última necessidade que deveria ser tida em conta para o desenvolvimento completo do ser humano.

Bases e fundamento da Psicologia Transpessoal

O Transpessoal trouxe para o domínio da ciência e da Psicologia algo que sempre fez parte do Ser Humano e que parece ser tão antigo como o próprio homem: a espiritualidade. Esta sempre teve um papel fundamental em todas as civilizações humanas. Quer sob a forma da religiosidade instituída ou nas suas mais diversas formas é inegável o papel que a espiritualidade sempre desempenhou na história humana. E, se hoje em dia assistimos a um certo declínio das religiões instituídas, pelo menos no Ocidente, esse declínio não se reflecte em nada na busca de uma vivência espiritual. Antes pelo contrário já que parece haver, nos nossos dias, uma busca cada vez maior de todos os tipos de espiritualidades alternativas. Enquanto os outros modelos resumem esta necessidade espiritual a uma parte mais primitiva ou irracional do ser humano, a psicologia transpessoal reconhece-a como fonte de grande realização pessoal, de onde podem surgir, por exemplo, as mais elevadas criações artísticas.

Uma premissa básica da Psicologia Transpessoal é a existência de uma filosofia perene: uma base comum a todas as tradições espirituais ou religiosas da humanidade. Sendo que as diferenças que foram surgindo teriam apenas a ver com as interpretações que foram surgindo a partir dessa base original. De facto, há alguns estudos que encontram semelhanças entre cultos ou tradições espirituais de civilizações e sociedades muito diferentes e distantes entre si, o que nos leva a crer na hipótese de que tenham surgido de um mesmo fundo comum.

Uma das dificuldades da Psicologia Transpessoal passa pela incapacidade de investigar estes estados com os intrumentos correntemente usados em psicologia. Alguns autores, como Wilber, defendem mesmo que alguns estados só são passíveis de ser analisados por quem os vivencia e enquanto os vivencia, daí que muitos teóricos do transpessoal sejam eles próprios adeptos ou praticantes das mais variadas práticas transpessoais.

Há, por parte da grande maioria dos teóricos da Psicologia Transpessoal, um grande interesse pelas tradições espirituais, especialmente pelas que são originárias do Oriente. Isto acontece porque estas, desde sempre, se preocuparam com o desenvolvimento para além do Ego. As tradições orientais, na sua maioria, admitem que existem de facto estados para além do Ego, que devem ser atingidos e procurados e, para esse efeito, existem as mais variadas escolas e técnicas como as várias escolas de meditação, de yoga, de shamanismo, etc.

Assim a Psicologia Transpessoal, sem negar nenhum dos méritos das outras correntes teóricas da Psicologia, procura integrá-las, reconhecendo que cada uma destas se dirige a um nível específico do ser humano, inserindo-as numa visão mais abrangente, em que todo o potencial humano é reconhecido, explorado e valorizado.

Laura Sanches
Bibliografia:

- Walsh and Vaughan, (1993). Paths Beyond Ego. Tarcher Putnam
- Ken Wilber, (2000). Integral Psychology. Shambala
- Abraham Maslow (1993), The Farther Reaches of Human Nature. Arkana
-A.S. Dalal, (2001), A Greater Psychology: An Introduction to the Psychological Thought of Sri Aurobindo. Tarcher. Putnam.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Yoga e Psicologia: porquê juntá-los

Praticar Yoga é uma forma de auto-conhecimento e de desenvolvimento pessoal. O Yoga pode representar uma forma de crescimento, um caminho de aprofundamento da nossa capacidade de espreitar para dentro de nós mesmos, numa busca constante e intensa da nossa verdadeira identidade.

Mais do que uma ginástica eficaz para nos mantermos em forma, para além de cuidar do corpo, o Yoga é uma forma de cuidarmos da mente, de a mantermos num estado de tranquilidade e bem-estar. Mas mais do que permitir a vivência de um estado de equilíbrio entre o corpo e a mente, o Yoga, é uma prática que, com o tempo, nos permite vivenciar estados cada vez mais subtis, profundos e, ao mesmo tempo, mais abrangentes. Estados que nos permitem mergulhar cada vez mais fundo numa viagem de descoberta de nós e do mundo.

Só muito recentemente a Psicologia se começou a preocupar com aquilo que nos faz felizes. Inicialmente, e até há pouco mais de uma década atrás, a Psicologia estudava prioritariamente a doença, preocupando-se em desenvolver teorias e intervenções que nos permitissem não só uma melhor compreensão de todo o processo de desenvolvimento da doença mental, mas também da melhor forma de intervir junto desta. Assim, toda a história da Psicologia se fez pela negativa. Pelo estudo dos fenómenos patológicos. Mas, recentemente, surgiu um novo ramo de estudo: a Psicologia Positiva. Esta ocupa-se sobretudo do estudo daquilo que nos faz felizes. Daquilo que nos faz crescer e ser melhores enquanto seres humanos. E também das ferramentas que permitem a algumas pessoas encontrar forças para serem felizes, mesmo em circunstâncias que seriam destrutivas para um outro indivíduo.

O Yoga pode ser estudado pela Psicologia Positiva como uma dessas ferramentas já que, através da sua prática, é possível de facto melhorar e fortalecer a nossa capacidade de sermos felizes. Praticando Yoga com regularidade descobrimos, como já várias investigações comprovaram, que é possível ser-se mais feliz, mais saudável e realizado.

As razões porque isto acontece levar-nos-iam a uma longa discussão e não são ainda consensuais entre os investigadores. Não só porque esta é uma área que tem ainda muito por explorar, mas também porque é bastante complexa e abrangente e a própria Psicologia é ainda uma ciência recente e cujos modelos de desenvolvimento não conseguem ainda (provavelmente não conseguirão tão cedo) explicar toda a complexidade daquilo que representa ser-se humano.

Mas se a ligação do Yoga à Psicologia Positiva se faz desta forma, salientando o seu vasto potencial como método de desenvolvimento humano, também é fácil fazer a ligação à Psicologia Terapêutica, salientando o potencial que muitas das suas técnicas têm para o tratamento de várias perturbações psicológicas e não só.

Na Índia, país de origem do Yoga, este sempre foi visto como uma ferramenta de desenvolvimento espiritual mas também como um método terapêutico por excelência.

Ao nível psicológico o Yoga tem tido efeitos comprovados principalmente ao nível das perturbações da ansiedade e da depressão, mas o seu potencial, a grande variedade das suas técnicas e a forma como se direccionam os seus efeitos para o corpo e para a mente de uma forma holística e integrada, permitem-nos afirmar que terá, sem dúvida, como também o comprova o trabalho de muitos Yogaterapeutas (principalmente na Ìndia e nos E.U.A.) que terá benefícios também para outras perturbações.

Para além destes aspectos a prática de Yoga pode ainda também enquadrar-se no campo de estudo da Psicologia Transpessoal, já que, de facto, o yoga nos permite entrar em contacto com o que existe para lá da persona - palavra que, em grego, significa máscara, que designava a personagem que os actores gregos interpretavam em palco e que está na origem do termo personalidade. Assim, o Yoga, do ponto de vista da Psicologia Transpessoal, pode também ser enquadrado como um método de auto-transcendência, de evolução para além do ego e dos estados comuns da vigília.

Yogaterapia

A yogaterapia é uma terapia alternativa que tem ainda pouca expressão em Portugal mas que, em países como os E.U.A. Inglaterra ou Índia, tem conhecido um grande desenvolvimento. Este traduz-se quer pelo reconhecimento do público, quer pelo número cada vez maior de profissionais envolvidos em pesquisas que comprovam os efeitos benéficos desta no tratamento de vários problemas de saúde.

Esta é uma terapia onde se aplicam técnicas do yoga com a finalidade de tratar ou de complementar o tratamento de várias condições. As que têm sido mais estudadas e que, geralmente, respondem melhor à yogaterapia incluem problemas respiratórios (como asma, bronquite, enfisemas pulmonares), dores de costas, hipertensão arterial, todas as perturbações relacionadas com a ansiedade e depressão.

Em países como Inglaterra, por exemplo, a yogaterapia chega mesmo a ser aplicada com resultados positivos nos estágios iniciais de doenças graves como o cancro ou a doença de Parkinson.

As técnicas mais vulgarmente usadas em yogaterapia são: o asana – posições que influenciam directamente os órgãos, as glândulas e o sistema nervoso, mas que podem ter também uma importante influência sobre os estados mentais; o pranayama- exercícios respiratórios, que exercem uma influência ao nível do sistema nervoso e das emoções, e o relaxamento e a meditação, que têm um papel importante no combate ao stress e à ansiedade e que podem também ajudar a criar estados de espírito mais optimistas e propícios à cura.

Um dos aspectos que distingue a yogaterapia de outras terapias mais convencionais e que a torna um meio adequado para o tratamento tanto de perturbações físicas como mentais, é a visão holística que tem do ser humano. A palavra Yoga, do sânscrito, significa literalmente unir, e a prática do yoga é muitas vezes encarada como uma forma de unir a mente ao corpo. Em yogaterapia, temos noção que não podemos tratar só o corpo ou a mente da pessoa. Ao tratar, por exemplo, uma dor de costas, poderemos usar vários asanas que ajudem a aliviar a dor e até mesmo a corrigir as suas causas, mas não podemos ignorar os factores psicológicos que a dor terá com certeza influenciado ou que, muitas vezes, podem mesmo tê-la causado.

Hoje em dia há cada vez mais certezas em relação à forma como a mente influencia o corpo e vice-versa. Sabe-se que a esperança que a pessoa tem de se curar e a capacidade que tem de direccionar todos os seus recursos internos para essa cura são essenciais para o bom andamento do processo terapêutico. Mesmo quando usamos fármacos, há já muitos estudos que nos dizem que estes não têm tanto efeito se a pessoa não acredita neles ou no médico que os receitou; outros estudos mostram ainda que tomar um comprimido formulado para curar determinada perturbação, por vezes, pode ter exactamente o mesmo efeito, do que tomar um placebo em que a pessoa acredita.

Há, hoje dia, cada vez mais pessoas que procuram o yoga como forma de tratar alguns problemas de saúde. Mas, se é verdade que os benefícios desta prática podem ser colhidos pela prática regular em aulas de grupo, também é verdade que esta nem sempre é acessível às pessoas que sofrem de problemas mais marcados de saúde; embora os praticantes de yoga, ao contrário do que muitas vezes se crê, não tenham que ser pessoas flexíveis e ágeis e, apesar de muitas vezes os exercícios mais eficazes no yoga serem justamente os mais simples e não os mais espectaculares e impressionantes que tantas vezes são divulgados. Ainda assim, para pessoas com uma saúde muito débil, ou com vários problemas em simultâneo, por vezes as técnicas têm que ser bastante adaptadas e este é um trabalho que nem sempre é possível fazer dentro de uma aula de grupo, apesar de nestas também ser muito importante ter em conta que a prática deve ser sempre adaptada ao indivíduo e nunca o indivíduo à prática.

Temos também consciência de que todos somos diferentes e que, por isso, o que faz bem a algumas pessoas não será necessariamente o melhor para outras. Por isso, em yogaterapia, todo o trabalho é feito individualmente (ou em grupos muito pequenos em que todos os participantes apresentem um problema de saúde comum) de forma a que as sessões sejam personalizadas e direccionadas para a resolução de uma problemática específica, usando as técnicas que forem mais relevantes para cada caso e para cada pessoa.

Outro aspecto que importante da yogaterapia, é a responsabilização da pessoa pelo seu próprio processo de cura. Por isso é importante que a pessoa perceba correctamente os exercícios que são feitos em cada sessão, bem como a sua utilidade, para que possa em casa, diariamente, pô-los em prática. Esta prática regular (ainda que possa não ocupar mais de 10, 15 minutos por dia) é essencial para que se obtenham todos os benefícios terapêuticos, mas tem também o mérito de devolver à pessoa a capacidade de aprender a estar bem e a segurança de saber que tem ao seu dispôr um conjunto de exercícios que poderão devolver-lhe qualidade de vida e contribuir para uma existência mais saudável e preenchida por momentos de bem-estar.


Laura Sanches e Jorge Ferreira