
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Artigo da Time Out sobre Yogaterapia

terça-feira, 22 de julho de 2008
Sugestões de Leitura - Bibliografia de Yoga e Meditação comentada
o nas aulas e que nos pedem sugestões sobre os livros com os quais poderão fazê-lo. O número de publicações sobre yoga é cada vez maior e, por isso, não pretendemos aqui apontar todas as boas obras que existem sobre yoga no mercado. Até porque, o mais importante quando compramos um livro, seja sobre que tema fôr, é saber se aquele livro corresponderá de alguma forma às questões que queremos ver respondidas e, como todos temos perguntas diferentes, é natural que todos façamos também escolhas diferentes para tentar responder-lhes.Assim a lista que abaixo se segue, é composta pelos livros que, ao longo do tempo, sentimos que foram sendo particularmente úteis para responder às nossas próprias questões.
As datas que indicamos são as da primeira edição do livro a que nos referimos; alguns, terão já edições mais recentes, mas preferimos indicar a data da primeira edição para dar uma ideia de quando foram escritos (naqueles em que não estamos a referir-nos a uma tradução).
Livros de introdução ao Yoga
Andre Van Lysebeth (1977) – Mi Session de Yoga – Útil para quem quer praticar em casa, sem professor. Ensina a estruturar correctamente uma prática de yoga. Inclui algumas práticas com objectivos distintos que podemos seguir.
Antonio Blay (1966) – Fundamento e Técnica do Hatha Yoga - Abrange de forma sucinta os vários aspectos da prática do Yoga, com indicações acerca de como fazer os asanas e pranayamas, bem como dos seus efeitos ao nível físico e psíquico.
Frank J. Bocio (2005)- Mindfulness Yoga – Partiu da experiência do autor enquanto praticante de yoga e de meditação budista. Faz uma síntese interessante dos aspectos principais da cultura hindu (no que diz respeito ao yoga) e budista, mostrando que as duas não são assim tão diferentes e, partindo do princípio de que toda a filosofia budista é perfeitamente aplicável à prática do yoga, tornando-a numa espécie de meditação com movimento.
Ruth Gilmore (2002) – Yoga for Living: Relieve Stress – Um livro pequeno mas útil para quem deseja praticar sozinho. Tem algumas práticas que podem ser usadas com objectivos específicos.
Nesta colecção: Yoga for Living, existem também os seguintes títulos:
Feel Confident, Boost energy e Stay Young. Alguns estão traduzidos em português, na colecção Yoga para a Vida.
Selvarajan Yesudian e Elisabeth Haich ( 1992) – Ioga e Saúde – Pequeno e de leitura fácil, que descreve os aspectos mais importantes da prática do asana e do pranayama.
Swami Ajaya (1976) – Yoga Psychology – Sobre a importância da meditação, e conselhos práticos para quem quer iniciar a sua prática. Um guia acessível que lida com várias questões práticas relacionadas com o ínicio de uma prática regular de meditação.
Swami Satyananda Saraswati (1966)- Asana, Pranayama, Mudra e Bandha- um dos livros mais conhecidos e reputados da Bihar School of Yoga, uma das maiores escolas de yoga da actualidade. Tem descrições detalhadas sobre todas estas técnicas e dos seus efeitos ao nível físico e psicológico. No final encontra-se um indíce útil de algumas doenças e perturbações comuns com indicação de quais as técnicas que podem ser úteis no tratamento desses problemas. È escrito de uma forma simples, que o torna acessível mesmo para quem nunca leu outros livros de yoga.
Swami Satyananda Sarawasti (1966) – Dynamics of Yoga – um livro pequeno e acessível que descreve os conceitos e práticas do que forma a base do Yoga ensinado na Bihar School of Yoga, ou do que por vezes se chama Satyananda Yoga. Uma boa introdução aos ensinamentos desta escola.
Swami Sivananda – The new book of Yoga – uma boa introdução ao yoga, para quem conhece pouco sobre o tema. Aborda vários aspectos da prática, passando pelo asana, pelo pranayama e meditação, entre outros aspectos relacionados, como a alimentação, a gravidez ou a infância. Fala de uma forma simples e agradável de todos estes assuntos sem os aprofundar demasiado.
Outros
A. S. Dalal (1991) - Psychology, Mental Health and Yoga - Um livro que apresenta, de forma resumida, as principais ideias do modelo de funcionamento psicológico e da doença mental formulado por Sri Aurobindo, um marco importante no Yoga e na Psicologia Transpessoal.
B. K. S. Iyengar (1966)- Light on Yoga - Um clássico do yoga. È o primeiro livro deste autor indiano, um dos primeiros a ser verdadeiramente reconhecido no Ocidente. Descreve de forma pormenorizada, uma grande quantidade de asanas, com fotografias que demonstram o domínio deste autor sobre o seu próprio corpo. Tem informação sobre alguns asanas que são difíceis de encontrar noutros livros, mas quase não fala dos outros aspectos do yoga. No final inclui um índice de várias doenças, ou perturbações e dos ásanas mais indicados para lidar com elas.
B.K.S. Iyengar (1981)– Luz sobre el Pranayama – È o segundo livro deste autor, que começou por se interessar sobretudo pelo asana. É um livro bastante completo sobre este tema, que inclui um guia da forma como devemos progredir nesta prática. Tem descrições detalhadas de vários pranayamas.
B.K.S. Iyengar (2005) – Light on Life – escrito numa altura em que o autor tem já mais de 80 anos de vida, ilustra, de certa maneira, a forma como o seu próprio pensamento acerca do yoga evoluiu. Neste livro, o autor, em vez de se focar principalmente, numa ou noutra técnica, como o ásana ou o pranayama, aborda os efeitos que o yoga poderá ter na própria vida do praticante. É um livro que aborda os aspectos psicológicos da prática do yoga. Fala dos obstáculos com muitas vezes nos deparamos, ao longo da prática e da forma como o yoga nos pode ajudar a viver em harmonia com o mundo que nos rodeia. È um livro que inclui algumas referências auto-biográficas.
Christie McNally, Michael Roach and Geshe Michael Roach (2005) - How Yoga Works -Um romance, com uma história bonita e cativante que ilustra a forma como os ensinamentos do Yoga Sutras, de Patanjali, se podem aplicar à nossa vida. Interessante e apelativo tanto para os conhecedores do Yoga e dos Yoga Sutras, como para os que nunca leram antes um livro de Yoga.
Joseph Colter (2001) - Anatomy of Hatha Yoga – Escrito por um médico, é um livro muito completo sobre anatomia humana, aplicada à prática do hatha yoga. Explica, de forma relativamente acessível para quem não tem qualquer conhecimento de anatomia, o funcionamento do nosso corpo, em termos anatómicos, quando está a efectuar os principais asanas ou pranayamas. Essencial para quem deseja ter um conhecimento aprofundado do corpo humano e da forma como este se comporta durante uma prática de hatha yoga.

Judith Lasather (1995) – Relax and Renew – Um livro sobre restorative Yoga. Um tipo de yoga em que todas as posições são sustentadas com o auxílio de almofadas ou outros instrumentos, de forma a que o corpo possa permanecer nelas totalmente relaxado. O objectivo principal destas técnicas é conseguir um relaxamento profundo. Inclui alguns capítulos dedicados a problemas ou condições específicas, como problemas respiratórios, insónia, gravidez e menopausa, por exemplo.
Kathy Lee Kappmeier-Foust and Diane Ambrosini (2005) - Instructing Hatha Yoga –Essencial para professores mas também para quem gosta de praticar em casa, por sua conta. Descreve detalhadamente os principais asanas, com descrições anatómicas pormenorizadas, com alternativas para as dificuldades mais comuns em cada asana bem como os erros mais comuns e a forma de os corrigir. Inclui várias sugestões de como conduzir as aulas, bastante úteis sobretudo para quem começa a ensinar.
Leslie Kaminoff (2007) – Yoga Anatomy- Uma exposição ilustrada dos músculos que estão envolvidos nas várias posições, dos principais obstáculos a cada uma delas e do tipo de respiração mais adequado para as efectuar.
Paramahansa Yogananda ( 1981)- Autobiografia de um Iogue – Descreve a vida do autor, um dos primeiros mestres de yoga indianos a viver no Ocidente. Apesar de não ser um livro útil no que respeita aos aspectos mais práticos do yoga, é uma exposição interessante e escrita de forma cativante de alguns aspectos do yoga, enquadrado na Índia, na primeira metade do século XX.
Swami Niranjananda Saraswati ( 1994) - Prana Pranayama Prana Vidya – Escrito pelo actual responsável pela Bihar School of Yoga, este livro é, provavelmente, a obra mais completa sobre o Prana, definido como a energia vital. Parte da explicação da forma como este é visto no yoga, a sua relação com a consciência, com a saúde e com a respiração. Inclui vários Pranayamas (exercícios respiratórios) com descrições detalhadas dos seus efeitos e finalidades, bem como da forma correcta de efectuá-los. Descreve práticas avançadas para influenciar a distribuição de prana no nosso organismo.
Richard Miller (2005) – Yoga Nidra: The Meditative Heart of Yoga – Um bom livro sobre o Yoga Nidra, uma técnica de relaxamento desenvolvida por Swami Satyananda. Esta, aqui, é descrita também como uma técnica de meditação que nos permite entrar em contacto com a nossa verdadeira natureza e levar uma vida mais tranquila e harmoniosa. Inclui um Cd com práticas guiadas pelo autor.
Swami Rama, Rudolph Ballentine e Swami Ajaya (1976) - Yoga and Psychotherapy: the evolution of Consciousness – Um livro importante para todos os que se interessam pela forma como o yoga influencia e transforma a consciência. Traça alguns paralelos com terapias ocidentais e inclui um estudo de caso sobre a utilização do yoga em psicoterapia.
Swami Shivapremananda (1998) – Step by Step: Yoga for Stress Relief- um programa de 3 meses para gerir o stress através do yoga. Inclui algumas explicações breves sobre a fisiologia e psicologia do stress, seguindo-se a descrição do programa com práticas diferentes para cada duas semanas com base principalmente no asana e alguns exercícios respiratórios.
Swami Sivananda (1992) – O poder do pensamento pela Ioga – Escrito por Sivananda já há vários anos, sobre um tema actual: a influência dos pensamentos na forma como construímos a nossa realidade. A sua influência sobre as nossas vidas e a forma como moldamos os nossos mundos.
Edição Espanhola – El Pensamiento e Su Poder
Swami Sivananda (1987) – Concentration Y Meditation – Descreve aspectos importantes para a concentração e meditação, bem como algumas técnicas a usar, alguns dos principais obstáculos para a prática da meditação e algumas experiências comuns que podem surgir.
Swami Satyananda Saraswati (1981)– A Systematic course in The ancient Techniques of Tantra and Kryia - um livro bastante extenso e muito completo, que por vezes já é chamdo a biblía do yoga. É uma compilação das muitas lições dadas, oralmente, por Swami Satyanananda que abrange todos os temas relacionados com a prática do yoga. Está dividido em 36 lições, o que permite que o aluno vá tendo uma compreensão progressiva dos temas, ao mesmo tempo que pode ir seguindo as práticas descritas no final de cada lição, também elas ordenadas de uma forma progressiva.
Swami Satyananda Saraswati (1980) – Sure ways to Self- Realization – Um livro sobre meditação em todas as culturas. Descreve diferentes técnicas de meditação usadas em diferentes culturas e também várias técnicas de meditação que podem ser usadas no yoga. Descreve também os principais osbtáculos que muitas vezes surgem no caminho da meditação e os meios pelo quais podemos aprender a eliminá-los. Sem dúvida um livro fundamental para quem quer saber mais sobre a meditação, não só como método de desenvolvimento que faz parte do yoga, mas também como algo presente e transversal a todas as culturas.
Swami Satyananda Saraswati (1976)- Yoga Nidra – Descreve detalhadamente esta técnica de relaxamento profundo e de que forma o autor a desenvolveu. Inclui guiões com diferentes tipos de relaxamento que podemos seguir e também uma secção com alguns estudos científicos que comprovam a importância desta técnica.
Swami Satyananda Saraswati (1984) – Kundalini Tantra – um livro muito completo sobre a Kundalini e os chakras. Explica os efeitos desta energia e algumas das experiências que ela pode provocar. Inclui descrições de diferentes tipos de práticas para desenvolver cada um dos chakras e também uma secção de estudos científicos sobre a Kundalini, compilados por Dr. Swami Shankardevananda Saraswati.
Swami Vivekananda – Kundalini Yoga (a força da serpente) – Descreve os chakras, a sua relação com a Kundalini e o processo de desenvolvimento que ocorre quando esta começa a despertar.
Swami Vivekananda – Karma Yoga: A educação da Vontade – Descreve os princípios básicos de um comportamento correcto, de acordo com a teoria do yoga. O Karma Yoga visa à libertação da consciência através do desapego do resultado das acções e da procura constante de acções correctas.
Timothy McCall (2007)- Yoga as Medicine – Escrito pelo editor médico do Yoga Journal, este é um livro muito completo no que respeita à aplicação da Yogaterapia a várias perturbações. Tem uma introdução excelente em relação aos benefícios desta prática, com base na sua formação científica, como médico; resumindo de forma inteligente e eloquente os aspectos principais desta prática, bem como o trabalho dos principais professores ou escolas actuais. È muito útil e interessante tanto para praticantes com muito pouca experiência como para professores já com algum conhecimento. Inclui descrições de práticas adequadas para perturbações específicas, com base no trabalho de vários professores diferentes.
Livros sobre história do Yoga
Andre Van Lysebeth – El Culto de Lo Feminino - A primeira metade do livro é sobre a história do yoga e origens do tantrismo. Faz uma boa exposição desta corrente filosófica que faz parte da tradição Hindu e que exerceu também a sua influência em várias escolas de yoga. A segunda foca-se mais nos rituais. No que respeita à história da cultura Hindu e da região indiana, provavelmente devido à altura em que foi escrito, é defendida uma teoria antiga (a teoria das invasões arianas) que, hoje em dia, tem vindo a ser bastante contestada pelos antropólogos e pelas investigações mais recentes.
Elizabeth de Michelis (2004)– A History of Modern Yoga –È a publicação da tese de doutoramento de uma socióloga sobre a evolução e enquadramento do Yoga Moderno, desde os finais do séc. XIX até à actualidade. Permite-nos uma boa compreensão de como o yoga passou a fazer parte da sociedade ocidental, da forma como a influenciou e foi também influenciado por ela.

Joseph S. Alter (2004) - Yoga in Modern India: the Body Between Science and Philosophy - Tese de doutoramento deste antropólogo, que procura descrever a forma como é enquadrado, actualmente, o yoga na cultura indiana.
Mircea Elíade (1962) – Patañjali e o Yoga - Escrito por um historiador da religião, procura fazer uma descrição da filosofia contida nos Yoga Sutras de Patañjali, mas também da forma como o yoga era visto e enquadrado na cultura indiana, na antiguidade.
Mircea Elíade (1972) - Yoga: Imortalidad e Libertad – Um aprofundamento da obra anterior, procura descrever, de forma completa mas complexa, as origens filosóficas do yoga e enquadrá-lo em toda a filosofia hindu, nos seus mais diversos aspectos.
Traduções dos Yoga Sutra:
Os Yoga Sutra são o texto mais antigo, a primeira obra escrita sobre Yoga. Há muitas traduções destes textos, aqui ficam algumas de autores conceituados:
B.K.S. Iyengar (1993) - Light on the Yoga Sutras of Patañjali – Começa com uma introdução e enquadramento desta obra, depois faz uma pequena explicação de cada uma das suas quatro divisões e segue com a tradução e comentários do autor a cada um dos versículos.
Swami Satyananda Saraswati (1976) – Four Chapters on Freedom – Inclui o texto original em sânscrito, a tradução e os comentários do autor.
Swami Vivekananda (1939) – Raja Yoga – A primeira parte é uma descrição do Raja Yoga, que o autor considera estar descrito nos textos do Yoga Sutra. Na segunda temos a tradução do autor de cada um dos versículos, com alguns comentários. Considerado uma obra clássica que estabelece as bases do Yoga Moderno, principalmente pela primeira parte do livro.
David Fontana & Ingrid Slack (1997)- Teaching Meditation to Children - escrito por dois psicólogos, com exercícios interessantes, adequados a várias idades diferentes, que pretendem estimular a capacidade de concentração, a auto-consciência e a capacidade da criança encontrar conforto e equlíbrio em técnicas simples de meditação.
Marsha Venig (2003)- YogaKids: Educating the whole Child Trough Yoga – um livro interessante, que inclui algumas sequências que podem ser usadas pelos pais que queiram praticar com os seus filhos. Tem descrições de vários ásanas e pranayamas, descritos de forma simples a apelativa, para que sejam as próprias crianças a ler enquanto aprendem a fazer os exercícios (se bem que não está ainda traduzido para português).
Swati Chanchani e Rajiv Chanchani (1995) – Yoga for Children: A complete ilustrated guide to yoga- Escrito por dois discípulos do Iyengar, procura adaptar os principais conceitos do yoga às crianças de forma simples e cativante. Cada um dos asanas é descrito de forma simples, com recurso a figuras ilustrativas do que fazer e não fazer, incluindo muitas histórias ou lendas da mitologia hindu, relacionadas com o nome ou origem de cada um dos asanas. A última parte é escrita como um manual para pais e professores.
Swami Satyananda Saraswati (1985) – Yoga Education for Children - uma descrição da importância do yoga na educação das crianças. Inclui artigos, escritos por vários especialistas em crianças, que descrevem práticas adequadas para várias idades diferentes e também para crianças ou adolescentes com problemas específicos.
Tara Gulber e Leah Kalish (2005) - Yoga pretzels – uma forma interessante e divertida de levar as crianças a interessarem-se pela prática do yoga. Um baralho de cartas muito simples de usar, que pode ser usado pelas crianças quando quiserem praticar sozinhas, ou pelos pais para praticar com os filhos. Torna a prática do yoga mais divertida e apelativa para a criança.
Suza Francina (1997) – Yoga for people Over 50 – Escrito a pensar naqueles que iniciaram a prática do yoga depois dos 50 anos. Mostra como é possível manter-mo-nos em forma mesmo nas idades mais avançadas, melhorando muito a nossa qualidade de vida. Tem fotografias impressionantes e testemunhos encorajadores de pessoas que se dedicaram ao yoga já com uma idade avançada.
Meditação
Eckhart Tolle – O Poder do Agora - um livro que não fala directamente de
mindfulness mas pode ser útil para nos ajudar a compreender a importância de
estarmos presentes.quarta-feira, 16 de julho de 2008
Invertidas sobre os Ombros - Benefícios e Cuidados a ter
As inversões proporcionam ao praticante uma mudança radical na sua forma de ver e estar no mundo. Ver tudo de pernas para o ar origina uma alteração dos processos de percepção visual e psicológicos, o que pode até promover uma maior tolerância e adaptabilidade à mudança, o que é um factor essencial nos dias de hoje.
As invertidas sobre os ombros têm também um importante efeito tranquilizante por isso normalmente são efectuadas mais no fim da prática de yoga; já no caso da invertida sobre a cabeça, como tem um feito estimulante, pode ser aconselhável que se faça no início da prática, depois de um aquecimento, apesar de também poder ser muito exigente começar uma prática com este asana como é a opinião de T. K. V. Desikachar (1999) .
Porém as invertidas sobre os ombros devem ser introduzidas gradualmente, de forma a que o praticante vá fortalecendo o seu corpo e seja capaz de permanecer na posição de uma forma confortável e segura. Por vezes, observamos que é pedido aos praticantes que iniciam a sua prática de yoga, logo nas primeiras aulas, para tentarem fazer a invertida sobre a cabeça ou, como por vezes se pensa, a variante mais fácil, que é a invertida sobre os ombros.
Esta falta de cuidado tem levado a que cada vez mais novos praticantes e praticantes experientes revelem sintomas de compressão dos discos cervicais, rigidez vertebral com redução de mobilidade ao nível do pescoço e ombros.
O asana como uma prática essencialmente mental e espiritual não perde nenhum destes valores se se introduzir uma abordagem mais cuidada ao nível anatómico e fisiológico, muito pelo contrário, isto completa a sua prática de um ponto de vista holístico.
Benefícios das Invertidas sobre os ombros
Quando nos referimos a invertidas sobre os ombros normalmente falamos do Sarvangasana (fig.1) e do Viparita Karani Asana (fig.2), que pode ser considerado um asana de progressão até se atingir o Sarvangasana.

Fig. 1 sarvangasana
Fig. 2 Viparita KaraniAinda não existem estudos rigorosos quanto aos efeitos das invertidas, apesar disso alguns princípios biomecânicos podem ser citados:
1. Há uma melhoria ao nível do retorno do sangue venoso das extremidades inferiores até ao coração. Pelo facto de terem também uma acção positiva ao nível do sistema linfático também são encaradas como responsáveis pelo fortalecimento do sistema imunitário. Pessoas que padeçam de varizes ou edemas podem usufruir bastante destes asanas, ou de encostar simplesmente as pernas a uma parede. São asanas que ajudam a reduzir a fadiga e a alongar os músculos posteriores das pernas.
2. Ao nível respiratório o Viparita Karani Asana, (fig.1) pode ter um efeito terapêutico para a asma, mas cada cada caso deve ser analisado individualmente, e existem outras invertidas mais aconselhadas como é o caso do Ardha Uttanasana (Fig.3), ou suas variantes.
Fig. 3 Ardha Uttanasana
3. Ao nível dos orgãos abdominais existe uma massagem (superior à que ocorre durante uma respiração abdominal) provocada pela inversão gravítica e pelo movimento do diafragma. O baço, o fígado e os restantes orgãos abdominais ficam apoiados sobre o diafragma respiratório, criando resistência no movimento (ascendente e descendente) deste, aquando da ventilação. Este peso, provocado pelos orgãos, conduz a um pequeno aumento da pressão do ar nos pulmões tanto na inspiração como na expiração, ajudando os alvéolos pulmonares a expandirem-se, facilitando as trocas gasosas (Satyananda, 1981) e a verdadeira respiração, que acontece ao nível celular. Os orgãos abdominais, em geral, podem usufruir deste asana melhorando a sua eficiência, ajudando a drenar o sangue que tem tendência para se acumular nestes orgãos (Satyananda 1981). Todo o sistema digestivo pode ser beneficiado por estes asanas.
4. Ao nível da pressão sanguínea, as invertidas são normalmente contra-indicadas para quem sofre de hipertensão, mas existe também a teoria de que as invertidas ajudam o coração a descansar podendo por isso conduzir a uma diminuição da pressão arterial, se bem que tal nunca tenha sido demonstrado.
5. Por vezes há a ideia de que a invertida sobre os ombros, beneficia o funcionamento da tiróide, mas isto ainda não foi comprovado. Também se cita, por vezes, como um dos benefícios da invertida a chegada de mais sangue oxigenado ao cérebro. Isto não é bem exacto, pois o cérebro o protege as suas delicadas estruturas de uma irrigação sanguínea excessiva como comprovou Dr. B. Ramamurthi (Blackmore, 2006).
No caso do Viparita Karani Asana, ocorre uma canalização da energia através da postura, associada ou não a pranayamas ou mudras, que pode originar diferentes estados mentais (Muktibodhananda, 1998). Esta posição tem claros factores positivos comparando com o Sarvangasana. Primeiro é uma posição em que os efeitos são praticamente idênticos, em segundo lugar é uma postura que provoca menos riscos para o pescoço, além de que a permanência nesta é mais fácil do que no Sarvangasana.
Cuidados a ter para fazer o Asana:
Como em todos os outros, é muito importante ter em conta alguns aspectos anatómicos para que o asana seja bem-feito:
1. deve-se ter atenção que os asanas devem ser efectuados, pelo menos numa fase incial, sob a orientação de um professor competente.
2. a invertida sobre os ombros não deve ser encarada como um asana fácil, ou como a invertida acessível a todas as pessoas, pois não o é. Uma das formas de se saber se o praticante já tem o controlo e força muscular necessários para fazer com segurança esta posição é observar a sua capacidade de fazer e permanecer com conforto no asana da ponte (Fig.4) (ver Mukunda Stiles, 2000).

Fig.4 asana da ponte
3. Toda a zona do pescoço deve ser alvo de uma fortalecimento e alongamento como fase de preparação e como factor de protecção para quando a invertida for efectuada, em particular o sarvangasana.
4. O apoio do corpo deve estar sempre sobre os cotovelos braços e ombros, sendo muito importante a acção dos músculos dos ombros, impedindo que aconteça uma pressão excessiva ao nível do pescoço.
5. O pescoço não deve deve suportar o peso do corpo, não o devemos comprimir nem alongar excessivamente.
6. Não deixar o corpo “afundar-se” durante a postura, procurando manter uma acção muscular de suporte constante, mas nunca deixando que a acção muscular origine tensão na mente. A atitude mental deve ser sempre de conforto e estabilidade.
Asanas complementares, de compensação
Se observarmos com atenção os asanas de invertida sobre os ombros verificamos que não estamos a efectuar nenhum movimento muito evidente ao nível da zona média e superior das costas. Existe um movimento anterior da coluna vertebral e dos músculos das costas, ao qual o corpo poderá pedir um movimento contrário suave.
No caso do Viparita Karani Asana alguns autores dizem que um asana de compensação é desnecessário, pois o corpo não adoptou nenhum posição que assim o exija. Um asana complementar deste pode também consistir numa torção suave deitada.
Ao Sarvangasana está normalmente associado o Matsyasana (o asana do peixe). O asana adoptou este nome porque, quando é visto de cima, as pernas cruzadas em Padmasana (posição do lótus) assemelham-se à cauda de um peixe. Visto que a maior parte das pessoas tem dificuldade em fazer esta posição e uma vez que, na realidade, ela não é acessível à grande maioria das pessoas podemos simplesmente cruzar as pernas, numa posição mais simples, trocando-as durante a permanência, de forma a não criar desequilíbrios. Existem diferentes variantes que se podem utillizar neste asana.
É importante não criar tensão na zona dos ombros, pescoço e costas durante os asana de compensação que devem ser posturas confortáveis tal como todas as outras.
No caso do pescoço, é preciso ter mais atenção. Em primeiro lugar se o asana for bem executado sem esforço para o pescoço este não terá efectuado nenhum movimento excessivo que exija uma compensação intensa. Por isso nas compensações o mais importante é adoptar uma posição com a cabeça que seja confortável para a zona do pescoço. O queixo pode ficar junto ao esterno (Fig.5), ou podemos deixar a cabeça descontrair tombando atrás mas sempre com muito cuidado (Fig.6); ou podemos deixá-la em qualquer outra posição confortável desde que respeite o alinhamento natural das vértebras.
Fig.5 Variante do peixe
Fig.6 Variante do peixe
No caso do asana do peixe o topo da cabeça também pode estar apoiado sobre o chão, mas muitas vezes esta posição não é confortável e exige um esforço que pode ser nocivo para o pescoço do praticantes. Cada pessoa é um caso único.
Existem outros asanas que também preenchem os princípios anatómicos necessários para representarem o papel de compensação para a invertida sobre os ombros, como é o caso do asana da esfinge (Fig.7) ou mesmo o asana da montanha (Fig.8), proporcionando uma alongamento ao nível das costas e do pescoço, embora reconhecendo que, na sequência de uma prática que se quer fluida, a passagem para estes asanas pode originar uma maior dispersão. Mas uma vez mais referimos o aspecto pessoal da prática, e cada pessoa deve fazer, de uma forma correcta, o que lhe pareça natural e confortável.

Fig. 7 asana da esfinge
Fig.8 asana da montanha
Contra indicações para este tipo de asana:
Hipertensão arterial, problemas de coração ou alguns problemas circulatórios.
Pressão intracranial elevada.
Acidente vascular cerebral
Hérnia
Problemas de costas (ex: hérnia discal)
Arteriosclerose
Infecções acima do coração.
Fracturas recentes
Obesidade extrema
Atenção à osteoporose
Menstruação (primeiros dias)
Atenção em casos de problemas respiratórios e de ansiedade
Alguns tipos de dores de cabeça
Pessoas com problemas ou lesões de pescoço, de pulsos ou de ombros
Jorge Ferreira
BIBLIOGRAFIA
Anna Blackmore (2006) Inverted Poses. Yoga Therapy Foundation Course, Yoga Biomedical Trust and the Life Centre
Mukunda Stiles (2000) Structural Yoga Therapy – Adapting to the individual. Weiser Books USA
Swami Muktobodhananda (1998) Hatha Yoga Pradipika. Yoga Publications Trust, Munger, Bihar, India Third edition
Swami Satyananda, (1981) A Systematic Course in the Ancient Tantric Techniques of Yoga and Kriya. Yoga Publications Trust, Munger, Bihar, India
T.K.V DesiKachar (1999). The Heart of Yoga: Developing a Personal Practice. Inner Traditions Bear and Company; New Ed edition
sexta-feira, 11 de julho de 2008
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Exercícios de Respiração Abdominal e Diafragmática
A respiração abdominal com os músculos descontraídos é mais indicada para quem quer aprender a relaxar, para combater estados de ansiedade e tensão. A respiração diafragmática com os músculos contraídos ou descontraídos trabalha de forma mais intensa o diafragma, ajuda a tonificar os músculos abdominais e também contribui para um estado de vitalidade, sem se perder o efeito de relaxamento.
É muito importante que a respiração se faça pelo nariz, tanto na fase da inspiração como na expiração. A boca não filtra as impurezas como o nariz, não aquece o ar que entra, o que é ainda mais grave no Inverno em que ar chega frio aos pulmões, fragilizando-os e, além disto, respirar pela boca, também tem um efeito desidratante para o corpo, visto que o nariz tem também a função de humedecer o ar.
Respirar pelo nariz também produz, geralmente, um efeito mais tranquilizador do que respirar pela boca.
Estes exercícios podem ser feitos durante 5 a 10 minutos de cada vez.
1. Encontrar uma posição confortável- Este tipo de respiração aprende-se melhor estando deitado, de pernas dobradas com os pés afastados e os joelhos juntos. O facto de estarmos deitados e com os joelhos flectidos descontrai a zona lombar favorecendo e facilitando a respiração abdominal. As mãos no abdómen ajudam-nos a sentir o movimento deste. (fig. 1)
Podemos usar uma manta dobrada debaixo da cabeça, se sentirmos muita tensão no pescoço, ou se verificarmos que, sem nada por baixo da cabeça, o nosso queixo fica mais alto que a testa.
Fig. 1
Para fazer a respiração abdominal completa, com o movimento de todo o abdómen e com os músculos descontraídos:
1. Expirar completamente e colocar as mãos no abdómen, sentindo que estas se afundam na barriga, sentido-as descer, num movimento abdominal para dentro, com a expiração. (fig. 2)
Fig. 22. Inspirar e sentir que o abdómen se movimenta para cima, sem acentuar a curvatura lombar, as mãos sobem com o movimento da barriga, mas as costas continuam descontraídas e em contacto com o chão.(fig. 3)

Fig. 3
3. Expirar novamente deitando todo o ar fora e voltar a sentir novamente as mãos a afundarem-se suavemente no abdómen, sem criar nenhuma tensão muscular ao nível dos ombros ou costas.
4. Sempre que acabamos de inspirar podemos fazer uma curta suspensão da respiração dando tempo para a optimização das trocas gasosas. Uma pausa confortável de apenas 1 ou 2 segundos aproximadamente.
5. Procurar que a respiração se faça de forma fluente, sem interrupções e sem forçar. É muito importante que todos os exercícios respiratórios se façam com conforto, sem criar tensão.
6. Podemos imaginar um balão na nossa barriga que aumenta quando inspiramos e se esvazia ao expirar.
7. Quando sentirmos que dominamos o movimento podemos começar a tentar prolongar as expirações.
8. Quando nos sentirmos à vontade podemos então começar a contar o tempo da respiração, procurando fazer com que as expirações passem a ter o dobro do tempo das inspirações. Alguns exemplos de tempos que podemos usar são: 2 segundos para inspirar e 4 para expirar ou 3 segundos para inspirar e 6 para expirar. Mas o mais importante é encontrarmos um tempo que nos faça sentir confortáveis, mantendo a proporção de 1:2.
9. No início do exercício, antes de começarmos a contagem, também pode ser útil juntar-lhe uma pequena visualização: imaginar que ao expirar estamos a deitar fora tensão, desconforto, mal-estar, imaginar que, quando o ar sai, estamos também a esvaziar o nosso corpo e a nossa mente de tudo o que gostaríamos de eliminar e, ao inspirar, ao mesmo tempo que o ar entra, sentindo-nos a absorver bem-estar, tranquilidade, vitalidade ou outras qualidades positivas que queiramos cultivar.
Para fazer a respiração diafragmática com os músculos abdominais contraídos/descontraídos:
1. Expirar de uma forma confortável, e em máxima expiração colocar as mãos com os dedos suavemente esticados sobre a zona superior abdominal e sobre as costelas inferiores, sentindo um toque suave dos dedos médios das mãos. (fig. 4)
Fig. 42. Inspirando, mantendo os músculos abdominais contraídos, mas sem esforço ou desconforto, sentimos as costelas inferiores a expandirem-se lateralmente, originando um afastamento das mãos, e um afastamento dos dedos médios. Neste caso a barriga não sobe tanto como no exercício anterior. (Fig. 5)
Fig. 5
3. Antes de voltarmos a expirar podemos fazer uma curta pausa, com os pulmões vazios.
4. Expirando sentimos a expansão torácica inferior a diminuir, as costelas voltam a aproximar-se e voltamos a sentir os dedos médios a tocarem-se novamente.
5. Procurar que a respiração de faça de forma fluente, sem interrupções e sem forçar. É muito importante que todos os exercícios respiratórios se façam lentamente com conforto, sem criar tensão.
6. Quando sentirmos que dominamos o movimento podemos começar a tentar prolongar as expirações.
7. Quando nos sentirmos à vontade podemos então começar a contar o tempo da respiração. Alguns exemplos de tempos que podemos usar são: 2 segundos para inspirar e 4 para expirar ou 3 segundos para inspirar e 6 para expirar. Mas o mais importante é encontrarmos um tempo que nos faça sentir confortáveis.
8. No início do exercício, antes de começarmos a contagem, também pode ser útil juntar-lhe uma pequena visualização: imaginar que ao expirar estamos a deitar fora tensão, desconforto mal-estar, imaginar que, quando o ar sai estamos também a esvaziar o nosso corpo e a nossa mente de tudo o que gostaríamos de eliminar e, ao inspirar, ao mesmo tempo que o ar entra, sentindo-nos a absorver bem-estar, tranquilidade, vitalidade ou outras qualidades positivas que queiramos cultivar.
Jorge Ferreira e Laura Sanches
terça-feira, 8 de julho de 2008
Benefícios da Respiração Abdominal
Stanislav Grof, um psiquiatra que vive nos E.U.A, desenvolveu um trabalho que ilustra bem a importância da respiração para modificar os nossos estados psicológicos. Este psiquiatra é bem conhecido pelo seu trabalho na área da psicologia do desenvolvimento da consciência e da espiritualidade e é também um pioneiro da psicologia transpessoal. Desenvolveu uma técnica a que chamou respiração holotrópica que consiste na adopção de uma respiração rápida, que juntamente com outros estímulos e com a repetição deste padrão respiratório durante algum tempo, acaba por produzir uma alteração dos estados psicológicos que leva ao desbloquear de certas memórias e emoções reprimidas.
Muitos estudos indicam que, de facto a respiração abdominal produz um estado de relaxamento que, com o tempo pode, mesmo acabar por reduzir significativamente a tensão alta e os estados de ansiedade. Na verdade, quando estamos totalmente relaxados, esta respiração surge de uma forma espontânea e natural.
Têm sido feitos alguns estudos acerca dos efeitos calmantes da respiração. A respiração abdominal é usada muitas vezes em psicoterapia para combater estados de ansiedade e ataques de pânico. No ínicio de um ataque de pânico, por exemplo, se formos capazes de fazer algumas respirações abdominais o mais provável é que todos os outros sintomas acabem por não chegar a aparecer e que o ataque acabe mesmo por não ser desencadeado. No nosso dia-a-dia temos muitas vezes tendência para respirar apenas com a zona superior dos pulmões, movimentando principalmente a zona do peito. Este tipo de respiração é indicado, por exemplo, quando estamos a fazer um exercício físico intenso porque aí o organismo requer um maior consumo oxigénio, num menor espaço de tempo. Esta forma de respirar provoca também uma activação do sistema nervoso simpático que leva o organismo a manter um estado de alerta o que também pode ser adequado em algumas situações. Ao fazermos respiração abdominal, pelo contrário, estamos a estimular o sistema parassimpático, responsável pela resposta de relaxamento.
No nosso dia-a-dia deve haver algum equilíbrio entre estas duas formas de respirar: se usamos sempre a respiração abdominal corremos o risco de nos sentirmos cansados ou sonolentos uma boa parte do tempo mas, se pelo contrário, usamos sempre a respiração superior (com a zona do peito) podemos facilmente entrar num estado de agitação e tensão constante.
Numa análise efectuada num hospital nos EUA (in Brown, 1995), verificou-se que de 153 doentes que deram entrada na unidade hospitalar com problemas de coração, a percentagem de pessoas que respirava predominantemente com a zona do superior dos pulmões, a do peito, era de 100%.
Na cultura asiática existe uma certa sabedoria popular que associa o ritmo da respiração ao número de anos de vida observando, de forma pertinente, que os animais com maior número de respirações por minuto, como os coelhos, por exemplo, vivem menos do que aqueles que respiram mais devagar, como os elefantes.
Sintonizar-mo-nos com a respiração também nos ajuda a entrar em sintonia com as partes mais profundas de nós, Alexander Lowen (1972), pai da bioenergética diz que “A respiração guarda o segredo da vida....Na respiração nós participamos inconscientemente da Vida Maior...a respiração é um processo de expansão e contracção que envolve todo o corpo e é, ao mesmo tempo, consciente e inconsciente.” (pg. 44). È esta fronteira entre o consciente e o inconsciente em que a respiração se situa que também nos permite dar esse mergulho para dentro de nós mesmos através da simples observação do seu constante fluir, uma importante técnica de meditação que faz parte de várias escolas espirituais.
Laura Sanches e Jorge Ferreira
BIBLIOGRAFIA
Brown, L. (1995), How to Breathe. Complementary Health Practice Review, vol.1.
Lehrer, P., Woolfolk, R. (1993), Principles and Practice of Stress Management. The Guilford Press.
Lowen, A. (1972), O Corpo em Depressão. Summus Editorial
Stanislav, G. (1993), The Holotropic Mind: Three levels of Human Consciousness and How They Shape our Lives. Harper
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Efeitos Estudados da Meditação

Técnicas de concentração – são todas as técnicas que envolvem a concentração num ponto, tentando afastar todos os outros objectos da consciência. Estas conduzem a um estreitamento da consciência que se foca exclusivamente num único objecto.
Técnicas de Insight – implicam uma atenção constante, mas sem julgamentos, a todos os conteúdos que vão surgindo na consciência. O objectivo é ter uma percepção ampla de todos os conteúdos da consciência, sem que haja nenhum envolvimento com estes. Estas técnicas conduzem a uma expansão da consciência, que se torna capaz de abarcar um número cada vez maior de objectos em simultâneo.
Estas duas estratégias são muito diferentes uma da outra, por isso, é de esperar que produzam também resultados diferentes. E, de facto, há algumas investigações que parecem comprovar esta hipótese.
Quando se entra num estado de meditação, geralmente, a leitura do EEG revela que começam a produzir-se ondas cerebrais do tipo alfa (8 a 13 ciclos por segundo), o que acontece também quando se está num estado de relaxamento profundo. Mas, se entretanto se produzir algum estímulo súbito (como um ruído ou um flash luminoso), esse estado de relaxamento será interrompido e as ondas alfa deixarão de ser produzidas durante alguns segundos, até que a pessoa volte a relaxar. No entanto, se esse estímulo for produzido de forma constante, dá-se um processo de habituação e a produção de ondas alfa deixa de ser interrompida. É o mesmo fenómeno que ocorre quando entramos num local onde cheira mal: no ínicio é díficil suportar o cheiro mas, com a permanência nesse sítio, dá-se uma habituação e deixamos de o sentir.
A primeira investigação foi feita por Kasamatsu e Hirai (in West, 1987), com monges que praticavam meditação Zen, do tipo insight. Foi verificado que, quando estes monges estavam em meditação, não se dava a interrupção das ondas alfa. O que significa que a tal habituação, com eles, nunca acontecia. Estavam permanentemente atentos a todos os estímulos e reagiam a cada um como se fosse o primeiro. Estes monges diziam que percebiam os estímulos de forma até mais clara do que no seu estado normal mas que não eram afectados por eles.
O segundo estudo importante para a compreensão dos efeitos da meditação foi feito por Anand Chinna e Singh (in West, 1987), com praticantes de meditação do Yoga, usando uma técnica de concentração. Estes reagiram de forma muito diferente dos anteriores: não mostravam qualquer reacção nem ao primeiro estímulo. Como se nunca os tivessem ouvido. Durante a meditação conseguiam-se isolar totalmente do ambiente exterior. Mas, quando não estavam a meditar, também não mostravam qualquer habituação; mantinham a mesma frescura de percepção que tinham os monges Zen. Podemos dizer que estes praticantes de meditação viam o mundo com olhos sempre frescos, como se tudo fosse novo, sem se deixarem contaminar por hábitos de percepção, que acontecem de forma inconsciente na maioria das pessoas e que, muitas vezes, nos levam a reagir de forma precipitada e com base em condicionamentos inconscientes. A maioria das pessoas intepreta os acontecimentos com base em experiências anteriores, mas estes resultados levam-nos a pensar que o mesmo não acontecerá com estes praticantes, que parecem reagir sempre a todas as situações com uma atitude de disponibilidade e abertura perante cada acontecimento.
Mais tarde houve quem tentasse replicar estes dois estudos sem obter os mesmos resultados. No entanto, estes continuam a ser um marco, sendo frequentemente citados, no que respeita aos efeitos da meditação.
E os efeitos da meditação são de facto muitos, não só que diz respeito ao funcionamento cerebral mas também ao nível da nossa percepção e compreensão do mundo. De facto, a meditação parece interferir com e alterar toda a nossa forma de percepcionar o mundo. Há um estudo interessante que o demonstra. Este é descrito por Roger Walsh (1993) e foi feito com um grupo de praticantes de meditação budista, usando o teste de Rorschach. Este teste é composto por uma série de pranchas com manchas de tinta, que são apresentadas à pessoa. Parte-se então do princípio que, o ser humano, perante a angústia que lhe causaria estar perante algo sem sentido, terá imediatamente a tendência para atribuir um significado às manchas. A forma como cada um de nós dá sentidos diferentes a cada uma das manchas foi estudada e analisada e a partir das diferentes formas de organizar as manchas que cada indivíduo usará, o psicólogo poderá então fazer a sua interpretação acerca da personalidade deste e do seu modo de funcionamento.
No caso destes praticantes de meditação budista, o que se verificou foi que, os que eram apenas iniciantes, tinham padrões de resposta normais, iguais aos de quem não medita. Mas os mais avançados tinham muito pouca tendência para elaborar o que viam. Walsh diz-nos que a meditação foca a mente e reduz o número de associações, interrompendo assim esse processo que é geralmente automático e inconsciente em todos nós. Estes resultados confirmam também a hipótese anterior de que a meditação parece libertar-nos dos condicionamentos associados à forma como percepcionamos o mundo.
Mas, dentro destes praticantes mais adiantados, havia ainda algumas diferenças, de acordo com os estágios em que cada um estava. Os budistas distinguem vários estágios, de acordo com a experiência e a capacidade que cada um tem de dominar as técnicas de meditação.
Assim, aqueles que estavam no que era considerado por eles e pelos seus mestres a fase inicial de iluminação, que tinham tido experiências iniciais de nirvana, viam as imagens como criações das suas mentes e tinham noção do processo, momento a momento, em que o seu fio de consciência se tinha transformado em imagens organizadas. Estas pessoas mostravam conflitos normais à volta de temas como a dependência, sexualidade e agressão, contudo apresentavam muito poucos mecanismos de defesa e muito pouca reactividade a estes conflitos. Pareciam ser capazes de conviver com estes conflitos psicológicos, que são normais nas outras pessoas (mas que costumam provocar algum sofrimento), sem se deixarem afectar por eles, sem reagir a estes. Pareciam ser capazes de se aceitar melhor a si próprios e às suas dores do que a maioria das pessoas comuns. Isto, aliás vai de encontro à filosofia budista que nos ensina que uma das causas para o sofrimento é justamente o não sermos capazes de aceitar a nossa experiência presente, mesmo que esta implique alguma dor.
Com os poucos praticantes que tinham já bem mais de 20 anos de experiência e estavam na 3ª fase de iluminação, já com o estatuto de mestres, as respostas foram mesmo únicas: estes viram não só as imagens mas a própria mancha como uma projeccção da mente; não mostraram evidências de conflitos internos e pareciam mesmo livres de conflitos; ligaram sistematicamente as respostas de todos os 10 cartões numa resposta integrada com um único tema, o que é algo extremamente raro e indicativo de capacidades criativas e elaborativas muito acima da média. O resultado foi um ensinamento sistemático acerca da natureza do sofrimento humano e do seu alívio. Diz Walsh que os mestres de meditação transformaram o teste do Rorschach num ensinamento para os examinadores.
Ao que parece, vendo estes resultados, a seguir à aceitação vem mesmo a libertação do sofrimento, tal como foi já explicado por Buda.
Ao nível fisiológico e neurológico há também inúmeros estudos que comprovam os efeitos da meditação:
2. Abrandamento do EEG, que passa a registar ondas alfa e, em alguns casos de praticantes mais avançados, ondas teta (4 a 7ciclos por segundo) que, geralmente, aparecem apenas em estados de sono profundo).
3. Maior sincronização ou coerência entre diferentes áreas corticais, o que significa que há mais áreas do cérebro activas ao mesmo tempo. Alguns investigadores sugerem que isto produz uma base para uma maior criatividade e crescimento psicológico. Mas esta coerência também pode ocorrer na esquizofrenia e a na epilepsia, pelo que não há certezas acerca do seu significado.
4. A meditação pode reduzir a actividade do hemisfério esquerdo, que está relacionada com a análise verbal. Pode acontecer uma redução da actividade deste hemisfério ou uma maior activação do direito. Há algumas evidências de uma maior actividade do hemisfério direito em praticantes de meditação, como capacidade de recordar e descriminar tons musicais. Mas parece que o esquerdo não é desactivado, por isso ficam ambos activos.
5. A meditação também parece estar relacionada com um aumento do fluxo sanguíneo do cérebro, com um aumento do fluxo nas 3 superfícies do lobo frontal e no tálamo.
6. Um estudo anatómico descrito por Chris Mace (2008) feito com praticantes de meditação com um mínimo de 2 anos e uma média de 9 anos de prática, comparou os córtexes de 20 praticantes de meditação com 15 não praticantes. Verificou-se que estes eram significativamente mais espessos em muitas áreas, nos dois hemisférios, mas não eram mais espessos que os do controlo, no geral. Havia diferenças claras no córtex pré-frontal nos dois lados e à volta da insula direita. Quanto mais velho era o sujeito maior era a diferença, sugerindo que a meditação poderia estar a prevenir um processo que ocorreria naturalmente com a idade, em que o cérebro se tornaria progressivamente mais fino. Este estudo tem sido tomado como evidência de que o tipo de atenção que se desenvolve na meditação provoca um crescimento neuronal em áreas do cérebro que é provável que sejam activadas durante a meditação.
7. Daniel Goleman (1996) verificou que os praticantes de meditação, numa situação de stress, tinham uma configuração psiscofiosiológica que sugeria uma maior prontidão motora para responder, uma maior activação na antecipação do stressor, mas uma mais rápida inibição limbica na recuperação do confronto, acompanhada por um afecto mais positivo e uma ansiedade situacional mais baixa durante toda a situação.
Assim, conclui que a meditação pode ajudar em situações de stress porque ajuda a uma recuperação mais rápida do ponto de vista fisiológico e psicológico.
- Muitas pesquisas sugerem que a meditação pode ser terapêutica para várias perturbações psicológicas: ansiedade, fobias, stress pós-traumático, tensão muscular, insónia, e depressão minor. A meditação regular reduz o uso de drogas legais e ilegais e ajuda prisioneiros a reduzir a ansiedade, a agressividade e as reeincidências.
Para os psicólogos, a meditação também aumenta a capacidade de sentir empatia para com o cliente bem como a disponibilidade para estar presente na relação.
Um estudo de Leo Matos (1987), revelou ainda que a meditação pode ser uma importante ferramenta na recuperação de toxicodependentes.
BIBLIOGRAFIA
Scotton, B., Chinen, A., e Battista, J. (1996), Textbook of Transpersonal Psychiatry and Psychology. Basic Books.
Mace, C. (2008), Mindful and Mental Health. Routledge.Matos, L. (1987), Drogas ou Meditação: Meditação como alternativa para o uso de drogas. Vozes.
Walsh, R. e Vaughan, F. (1993), Paths Beyond Ego. The Transpersonal Vision. Tarcher Putnam.
West, M. (1987), The Psychology of Meditation. Oxford Science Publications.
