





Com alguma frequência lemos e ouvimos que um dos benefícios de alguns exercícios do yoga, consiste numa maior oxigenação do sangue e, por consequência, dos vários tecidos.
Este efeito poderia ser alcançado, por exemplo, através das respirações completas e mais profundas, através do bhastrika (respiração do fole), do kapalabhati ou através de determinados asanas como é o caso da invertida sobre a cabeça.
Todavia estas afirmações carecem de exactidão. Na verdade, o termo hiperoxigenação, que é por vezes usado, é também incorrecto na medida em que, nos exercícios a que esta é associada, não há um aumento da quantidade de oxigénio no sangue, mas sim uma alteração dos níveis de dióxido de carbono.
É importante compreender que, (caso não tenhamos nenhuma doença respiratória grave que reduza os nossos níveis de oxigénio no sangue) este benefício que é muitas vezes repetido não corresponde à verdade, pois como a Drª. Ruth Gilmore (médica e professora de yoga) refere “….os níveis de oxigénio no sangue já são máximos….”, na maioria das pessoas saudáveis o nível de saturação arterial é de 98%, só em pessoas com doenças respiratórias graves é que a saturação arterial pode descer, necessitando a pessoa nesse caso de terapia de oxigénio.
No sangue são as moléculas de hemoglobina que transportam o oxigénio desde os pulmões até aos tecidos. Quando estas partem dos pulmões, o sangue arterial está totalmente saturado de oxigénio, ou seja, as moléculas de hemoglobina transportam todo o oxigénio possível, por isso a capacidade de transporte de oxigénio dos pulmões está esgotada.
Mas é verdade que, por vezes, o nosso corpo pede mais oxigénio. Por exemplo, se efectuamos um exercício mais exigente os nossos músculos pedem mais oxigénio, fruto do esforço adicional a que estes estão a ser sujeitos: a forma como o nosso organismo se adapta a esta situação consiste num aumento da velocidade a que o sangue percorre o corpo, acelerando os batimentos cardíacos e a velocidade a que respiramos, desta forma o sangue leva mais oxigénio aos tecidos, mas os níveis de saturação de oxigénio no sangue mantêm-se estáveis. Foi a velocidade a que o sangue percorreu o nosso organismo que aumentou, já que esta é directamente proporcional ao grau de exigência muscular do exercício que estamos a efectuar.
Também no caso de uma invertida sobre a cabeça o sangue mantém os seus níveis de oxigénio. Verifica-se sim um aumento de pressão e, fruto da inversão gravítica, poderíamos pensar que o nosso cérebro seria irrigado por uma maior quantidade de sangue, mas como nos diz o Dr. F. Chandra, “….não ocorre uma maior irrigação sanguínea dos tecidos…”, pois se tal acontecesse podia prejudicar gravemente as estruturas delicadas do cérebro, o nosso organismo protege o cérebro de fluxos excessivos nos vasos através da acção dos barorreceptores que controlam a pressão sanguínea.
No exemplo da respiração do fole (técnica do bhastrika), à primeira vista podemos pensar que esta promove um aumento de oxigénio no sangue e, por consequência, nos tecidos, mas na realidade o que acontece é uma descida de dióxido de carbono no sangue arterial, e esta redução pode provocar uma constrição dos pequenos vasos sanguíneos e pequenas artérias do cérebro e da medula espinal, como refere David Coulter. Esta técnica pode até causar hiperventilação, o que é grave porque cria um défice de oxigénio nas células do Sistema Nervoso Central que são as que mais precisam de oxigénio. Com esta constrição dos vasos o fornecimento de sangue e de oxigénio é reduzido e, por esta razão, os praticantes podem sentir tonturas no decorrer do exercício, que não se devem ao aumento dos valores de oxigénio no sangue nem no cérebro, como por vezes é transmitido. Estas podem ocorrer porque o equilibrío no nosso corpo foi afectado pois, apesar do dióxido de carbono ser um gás de eliminação, o nosso organismo precisa de manter os níveis de dióxido de carbono e de oxigénio equilibrados. O dióxido de carbono permite que a hemoglobina transporte o oxigénio até aos tecidos, quando o nível de CO2 desce abruptamente o sangue torna-se alcalino e a hemoglobina não consegue libertar as moléculas de oxigénio, que ficam presas.
Sempre que isto acontece o exercício deve ser interrompido e devem voltar a fazer-se respirações normais, pelo menos até que as tonturas desapareçam.
Como refere Doug Keller, o CO2 também proporciona a mensagem química que nos leva a uma nova inspiração, pois a seguir a cada expiração acontece uma pequena paragem em que o
CO2 aumenta no sangue ao mesmo tempo que o O2 é libertado para os tecidos, quando chega a um determinado nível o centro respiratório do cérebro envia um sinal através do nervo frénico até ao diafragma respiratório para efectuar uma nova inspiração.
Podemos ter como exemplo uma situação de ataque de ansiedade em que a pessoa começa a respirar rapidamente de uma forma descontrolada e começa a hiperventilar, neste caso os níveis de dióxido de carbono baixam drasticamente colocando em perigo o nosso organismo e, em alguns casos, até se recomenda que a pessoa respire para dentro de um saco para que a inalação do ar expirado, com índices mais altos de dióxido de carbono, ajude a repor este equilíbrio.
Na verdade os sintomas da hiperventilação são exactamente os mesmos que acontecem quando estamos em altitudes elevadas, como os montanhistas muitas vezes experienciam: náuseas, confusão mental, tonturas, irritabilidade, dificuldades de concentração, etc.
Caso se opte por realizar o exercício do bhastrika (fole) é necessário que este seja feito com cuidado e de uma forma gradual, dando tempo ao organismo, para que este se ajuste e adapte às mudanças dos valores de CO2 no sangue. Com a prática a circulação cerebral habitua-se a esta diminuição, podendo desta forma intensificar esta respiração e usufruir de alguns benefícios, como por exemplo, um estado de alerta e de bem-estar.
Exercícios respiratórios como o bhastrika ou o kapalabhati, na realidade, têm inúmeros benefícios, não devendo ser reduzida a sua utilidade a uma mera questão de oxigenação do sangue.
O bhastrika e o kapalabhati ajudam a utilizar os músculos abdominais na expiração, facilitando a regulação da respiração, fazendo com que as duas fases respiratórias (inspiração e expiração) se processem sem intermitências e oscilações. Esta tomada de consciência da respiração abdominal ajuda, num outro estágio, a coordenar a acção dos movimentos dos músculos abdominais e do músculo do diafragma respiratório, eliminando maus hábitos respiratórios, tais como: constrição do peito, inversão do abdómen na respiração paradoxal, oscilação no fluxo respiratório, e a a incapacidade de usar o tórax no processo respiratório.
O Kapalabhati também ajuda no desenvolvimento da força, resistência e na coordenação dos músculos abdominais para exercícios como são o caso do agni sara, uddiyana bandha e nauli.
Os músculos respiratórios abdominais estão intimamente ligados à nossa postura corporal, por isso estes exercícios podem ajudar a descontrair tensões musculares, com efeitos positivos em várias condições como, por exemplo, as dores de costas, entre outras.
Estes exercícios, com o tempo, podem também vir a exercer uma acção positiva no que toca nas respirações completas e profundas, facilitando-as e promovendo aumento da qualidade das trocas gasosas entre os pulmões e a circulação sanguínea. Através destas observamos uma descontração ao nível dos músculos intercostais, peitorais e diafragma, o que conduz a estados de maior tranquilidade e bem-estar. Na verdade podemos verificar, em pessoas com elevados níveis de stress, que a sua musculatura respiratória, fruto dos maus hábitos respiratórios (influenciados pela tensão constante), torna-se mais rígida, condicionando desta forma todo o processo respiratório, levando assim a um agravamento dos níveis de tensão e stress.
Jorge Ferreira

Yoga Integração da Mente e do Corpo (parte I) (publicado na revista de Abril de 2010) - http://www.espaco-vida.com/zen-yoga%20-%20I.pdf
Yoga Integração da Mente e do Corpo (parte II) - http://www.espaco-vida.com/Zen_yogaII.pdf
Yoga - Integração da Mente e do Corpo (parte II) (publicado na revista de Março de 2010) - http://www.espaco-vida.com/Zen_yogaII.pdf
Lidar com a Zanga (publicado na revista de Fevereiro 2o1o) http://www.espaco-vida.com/zanga.pdf
Ansiedade - Viver no Futuro (publicado na revista de Janeiro 2010) http://www.espaco-vida.com/ZEN_012_ansiedade.pdf
Yoga - Elimine a Hipertensão Arterial (publicado na revista de Dezembro 2009) http://www.espaco-vida.com/ZEN_011_hipertensao.pdf
Levar o Yoga para o Trabalho (publicado na revista de Setembro 2009) http://www.espaco-vida.com/ZEN_008_yoga.pdf
Optimismo: Uma Ferramenta contra a Depressão (publicado na revista de Outubro 2009)-
estar subjectivo é o objectivo central da Psicologia Positiva (Seligman, 2002, in Carr, 2004).
ontrário, desistir facilmente, tem a haver com a forma como explicamos as situações a nós mesmos, com o nosso diálogo interno, com a forma como interpretamos as coisas boas e más que nos acontecem. Nasceram assim os primeiros estudos sobre o Optimismo que Seligman se tem dedicado a compreender. Para este autor o Optimismo ou Pessimismo representam um estilo explicativo, uma forma de explicarmos a nós mesmoas as coisas boas e más que nos vão acontecendo.
Um estudo importante para estas investigações foi a análise dos diários de 180 freiras desde a altura em que ingressaram numa ordem religiosa. Com este estudo descobriu-se que 90% das freiras do quarto mais alegre ainda estava viva aos 85 anos, enquanto que apenas 34% das freiras do quarto menos alegre chegou a essa idade. Aos 94% anos chegaram 54% do quarto mais alegre e apenas 11% do quarto menos alegre.
A felicidade é facilitada quando apreciamos aquilo que nos foi dado, quando desejamos o que
hristopher, Richardson, Slife (2008), Thinking Through Positive Psychology. Theory Psychology (18) 555
ficiente para eliminar um problema de costas existente, já que este depende de tantos e diferentes factores. Por isso a pessoa deve adoptar uma abordagem terapêutica e conscienciosa durante todos os momentos do seu dia e da sua noite, mesmo enquanto dorme, de forma a que o trabalho feito durante a terapia (qualquer que seja a escolhida) tenha possibilidade de se tornar realmente eficiente.
s e tensão, através da sua acção sobre estes músculos, acabam por afectar não só o processo respiratório mas também a postura corporal, podendo agravar fragilidades já existentes. Por este motivo, simples respirações diafragmáticas que ajudam a relaxar, têm-se mostrado muito úteis no alívio de dores de costas, quando estas estão relacionadas com estados de tensão e stress. Segundo Farhi, os estados de tensão existentes na zona do abdomén e costas podem ser descontraídos através de alguns exercícios respiratórios específicos efectuados de forma adequada.
que as costas vão ficar curvadas e os discos comprimidos, reforçando a perda da sua característica “gelatinosa”, principalmente quando esta posição é mantida por longos períodos de tempo. A única forma correcta de efectuar este tipo de alongamento, será deixando sempre que o movimento parta da rotação da zona das ancas, deixando que a primeira parte a aproximar-se das pernas seja a barriga e nunca a cabeça. 
mas sempre em alongá-lo o mais possível.
sana (que podemos ver na imagem), por vezes as pessoas forçam o movimento com a ajuda dos músculos do braços, deixando desta forma a coluna vertebral e os discos, em particular, desprotegidos, o que, (com a repetição constante deste tipo de exercício em permanências prolongadas, em pessoas que possuiam já anteriormente alguma fragilidade e, num contexto de prática com outros movimentos incorrectos) pode mesmo levar à projecção do núcleo pulposo deste provocando a chamada hérnia discal. Neste tipo de asana a acção muscular dos braços deve ser usada apenas quando esta reforça o estiramento vertebral, o que não acontece na maior parte do casos devido à menor flexilidade posterior que a maioria das pessoas tem. Já as flexões anteriores feitas de pé, por causa da acção gravidade, são menos perigosas para os discos inter-vertebrais, mas continuam a não ser aconselhadas em caso de hérnias discais na zona lombar.
as, mas tal depende de caso para caso.